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“Fake famous” desmascara a cultura dos “likes”

Stop making stupid people famous“. A frase, que em tradução literal significa: “Pare de fazer pessoas estúpidas famosas”, nunca esteve tão atual. Todo dia vemos alguém, com milhares de seguidores, falando algo de forma irresponsável na Internet. 

A fórmula é sempre a mesma: a pessoa posta algo polêmico que choca/desagrada um monte de gente. Daí, ela faz um vídeo dizendo que sua fala foi “mal-interpretada” ou “tirada de contexto”. Passa uma semana, um mês talvez…e o ciclo se repete. E assim ela se mantém em evidência, às vezes até ganhando mais seguidores.

A cultura dos likes está bagunçando a nossa percepção das coisas. Ainda acreditamos que o número de curtidas e de seguidores é sinônimo de credibilidade. 

Por isso hoje eu vim para indicar um documentário que mostra um pouco sobre como é relativamente “fácil” fazer alguém ficar famoso na Internet. Fake Famous, da HBO, desmistifica um pouco essa questão, a partir de um experimento feito pelo jornalista Nick Bilton. 

Ele recrutou três anônimos e embarcou em uma jornada para transformá-los em influencers super bombados. Para isso, comprou seguidores e likes. Também produziu e manipulou as fotos que eram postadas, com o objetivo de mostrar uma vida muito mais glamourosa do que a realidade de cada um deles. O resultado? Bom, você já sabe, e não é nem spoiler: muita gente caiu.  

Foto: Fake Famous / HBO | Divulgação

O engajamento de milhões

Estudando um pouco sobre engajamento na Internet, aprendi que o melhor a fazer quando estamos diante de uma fake news ou de um conteúdo ofensivo, preconceituoso, ou de qualidade duvidosa, é ignorar. Sim, porque ainda que você compartilhe em tom de indignação ou crítica, para o algoritmo isso não faz a menor diferença. 

Então quanto mais a gente dá “palco” para conteúdos de qualidade duvidosa, com os quais não compactuamos, mais tornamos essas pessoas relevantes. E assim elas chegam em cada vez mais gente, aparecem mais nas capas dos portais, são convidadas para entrevistas na TV aberta e podcasts, e por aí vai. 

Quero deixar claro que eu acredito sim que todos temos o direito de errar e nos retratar. Além disso, não sou adepta à cultura do cancelamento. Mas é preciso ter algum limite – até pelo bem da nossa saúde mental. 

As redes sociais foram um avanço e tanto para a democratização da informação – hoje em dia, todo mundo pode produzir conteúdo. Mas isso também tem um lado bem problemático: o de que todo mundo pode produzir conteúdo! 

Enquanto tem muita gente que produz coisas sérias, e com responsabilidade; outras simplesmente abrem a câmera e saem falando o que bem entendem. Em um país socialmente desigual como o nosso, onde a educação é precária, isso se torna um problema ainda maior. 

Quando se trata de saúde e de alimentação – áreas que dão muita abertura para “achismos” e modismos – o buraco é mais embaixo. 

Todos nós temos responsabilidade em fazer uma Internet mais gentil, responsável e informativa. Seu like vale ouro – saiba bem como usar. ♥


Foto principal: Fake Famous / HBO | Divulgação 

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