Author: danibarg

Ilustração inspirada no grafite “Flower Thrower”, de Banksy, com homem lançando um buquê de flores

As vantagens de ser invisível: Banksy e a cultura da visibilidade

Quando a invisibilidade incomoda: o anonimato, desejado por muitos, passou algo a ser questionado  A quem interessa tornar visível alguém que não quer ser visto? Essa foi a pergunta que muita gente se fez após a repercussão de uma matéria feita pela Reuters sobre Banksy recentemente. O artista, que há décadas é “conhecido” por conseguir preservar o seu anonimato, teria tido sua identidade revelada pela reportagem investigativa. O bafafá foi grande nas redes sociais. Enquanto parte das pessoas condenava a investigação, argumentando que a identidade do artista seria irrelevante para quem consome sua arte; outros exaltavam o rigor jornalístico da matéria. A repercussão foi igualmente notável: em poucas horas, a imagem de um homem de 69 anos, morador de Londres, começou a circular como se ele fosse Banksy. Posteriormente, a própria Reuters desmentiu o fato, e o homem se pronunciou, dizendo que passou a receber ligações diárias depois que sua foto começou a circular. “Eu não sou o Banksy. Sou um zelador”, justificou. Curiosamente, vivemos uma época em que tudo o que as pessoas mais …

Modelos com corpos semelhantes desfilando na passarela, ilustrando os padrões de beleza restritos na indústria da moda

Diversidade na moda, nas telas (e na vida): será que essa pauta foi esquecida?

Apesar de ser cada vez mais mencionada, a diversidade ainda é restrita nas passarelas, nas telas e nas redes sociais. Nos últimos anos, a indústria da moda e do entretenimento passou a falar cada vez mais sobre diversidade. Mas quando olhamos para as passarelas, para as telas e para as redes sociais, a sensação é de que os padrões de beleza continuam surpreendentemente restritos. Essa semana aconteceu mais uma cerimônia do Oscar. No tapete vermelho, vimos algo que já se tornou previsível: corpos magros continuam dominando os holofotes. Num momento em que a popularização de medicamentos para emagrecer já se tornou uma realidade, esse padrão parece ganhar ainda mais legitimidade. O que vemos na mídia tradicional e nas redes sociais acaba reforçando uma ideia muito específica e limitada de beleza. Talvez por isso muitas pessoas (incluindo euzinha) pareçam estar um pouco enjoadas das redes sociais. O que antes poderia servir como fonte de inspiração tem gerado, em muitos casos, uma espécie de exaustão emocional. O relatório Social Media and Youth Mental Health, do U.S. Surgeon …

Beyond the Like: Understanding the Pressure of Social Media on Women

Hi there! If you’ve been following my work or my Instagram, you’ll find my book Além do Like fascinating. It’s an in-depth report on the aesthetic pressures women face in the age of social media, originally published in Brazil by Senac (2025). The book explores how modern beauty standards, amplified by social media, affect women’s body image, self-esteem, and everyday decisions. From filters to “perfect” bodies constantly showcased online, women of all shapes and ages are pressured to compare themselves, and often feel dissatisfied. Through real stories and expert insights, the book combines interviews with women —actresses, former models, YouTubers, influencers, and everyday women — with interviews with nutritionists, psychologists, and body image specialists. It also draws on research into self-esteem, mental health, and social media culture. In its updated edition, the book examines historical beauty ideals, diet culture, mental health implications, and the ways AI and social media algorithms shape how we see ourselves. In addition to writing, I also give talks based on the book, focusing on media literacy and critical analysis of …

Mulher preparando shake de whey protein na cozinha, representando o modismo da proteína e dietas da moda.

O modismo da proteína: quando comer vira cálculo de novo

Quando comecei a escrever sobre alimentação, lá por 2014, a moda era contar calorias. Dietas de pontos, tabelas, aplicativos, gente checando números antes de decidir o que “podia” ou “não podia” comer.  Naquela época, já me incomodava essa redução da comida a um cálculo; e fiz muitas matérias e entrevistas defendendo que era preciso ir além das calorias e olhar para o alimento como um todo. Colocar alguns alimentos na lista de vilões, e outros na lista de “mocinhos”, sempre foi muito lucrativo para a indústria das dietas. Atualmente, a lógica é a mesma. Só mudou o nome do herói da vez: a obsessão agora é pela proteína (como você já deve ter notado nas gôndolas e no feed das redes sociais).  Proteína em ultraprocessados O objetivo deste texto não é demonizar a proteína, mas propor um exercício simples: quando entrar em um supermercado, observe a quantidade de alimentos ultraprocessados que atualmente estampam a palavra “proteico” em seus rótulos. Ou, ainda, que destacam números grandes indicando a quantidade de proteína por porção. São barrinhas, shakes, …

Ilustração da personagem Vicky, da série Invejosa da Netflix, com um buquê de noiva

7 motivos para assistir (e se apaixonar) por Invejosa, série argentina da Netflix

Quando assisti ao trailer de Invejosa, da Netflix, tive certeza de que iria gostar. A série parte de um drama comum a muitas mulheres: chegar aos 40 sem ter cumprido o “roteiro” que a sociedade insiste em impor – casar e ter filhos (em pleno 2025!). A produção argentina é protagonizada por Vicky (Griselda Siciliani), que acaba de levar um “pé na bunda” após ficar casada por dez anos e ser trocada por uma novinha (ora, ora, tá aí outro enredo comum na vida real).  Enquanto todas as amigas avançam no tal checklist da vida adulta, Vicky segue com uma trajetória afetiva caótica e cheia de tropeços. Apesar de transitar pelo universo da comédia romântica, gênero que raramente me conquista, Invejosa me surpreendeu pela criatividade e por desbancar alguns estereótipos ligados a nós, mulheres.  Como escrevi um livro sobre pressão estética e comportamento feminino, acabo assistindo muitas obras “trabalhando”. E Invejosa virou um verdadeiro objeto de estudo; ainda que eu tenha dado boas gargalhadas ao longo das três temporadas. Arrisco dizer que foi uma das …

adolescente olhando o celular, representando a pressão estética nas redes sociais entre meninos

Meninos também sofrem pressão estética nas redes sociais, mostra nova pesquisa

Afinal, pressão estética é coisa de menina? Assim que comecei a escrever o meu livro, tive uma certeza: meu público-alvo seria feminino. Estudando a história dos padrões de beleza, era visível que sempre fomos as mais cobradas em termos de aparência e, por consequência, o gênero mais afetado em relação à imagem corporal. No entanto, recentemente estive no Brasil e tive a oportunidade de dar algumas palestras para grupos grandes de adolescentes. A princípio, fiquei apreensiva: será que eles se interessariam pelos temas do meu livro? Estariam dispostos a repensar o uso das redes sociais? A resposta foi surpreendente: sim, estavam interessados — e, ao contrário do que eu imaginava, os meninos se mostraram super engajados, fazendo perguntas inteligentes e demonstrando curiosidade sobre como as telas impactam a autoestima. É fato, e os números confirmam: a pressão estética também é uma pauta masculina, e as redes sociais têm papel direto nisso. Meninos, redes sociais e a pressão pela aparência Para minha surpresa, o que vi na prática foi confirmado por uma pesquisa recém-lançada pela Common …

Mãos de uma equipe diversa colaborando em brainstorming, organizando post-its coloridos com ideias em uma mesa de trabalho.

Diversidade, curiosidade e imagem corporativa: como cultivar pensamento crítico pode transformar as empresas

Recentemente, vi uma entrevista da Ana Maria Gonçalves e do Lázaro Ramos no Fantástico, em que eles falaram sobre a importância de escritores negros conquistarem cada vez mais espaço na literatura brasileira. Ana Maria é a primeira autora negra a ocupar uma cadeira na ABL. Esse avanço deixa claro: quando a diversidade é parte real da cultura, ela transforma a forma como enxergamos o mundo e as possibilidades ao nosso redor. Como esse tema é um dos pilares do Além do Like, sigo pesquisando e mostrando o quanto questionar padrões (dentro e fora das redes) é essencial para repensar nossa imagem, nossas relações e até a forma como as empresas se posicionam. Afinal, enxergar o mundo por outros ângulos é o primeiro passo para qualquer transformação, seja ela pessoal, social ou corporativa. Pequenos passos, grandes impactos: diversidade e curiosidade no ambiente corporativo Avançamos muito nessas pautas na última década, mas também houve retrocessos. Em 2025, várias empresas suspenderam seus programas de diversidade, incluindo gigantes como Meta, Disney, McDonald’s, Boeing, Ford e outras. Um fato curioso …

Montagem com diferentes personagens femininas do remake de Vale Tudo, representando estereótipos e transformações na forma como as mulheres são retratadas na mídia. Arte criada por Dani Barg.

As mulheres de Vale Tudo e o poder de desafiar estereótipos

Seja você noveleiro ou não, a pergunta da semana no Brasil atinge até quem está fora do País (incluindo eu!): afinal, quem matou Odete Roitman? O remake de Vale Tudo deu o que falar, não apenas pelo mistério central, mas também pelas representações femininas na TV brasileira, que mostram mulheres desafiando estereótipos e conquistando protagonismo. As polêmicas em torno da adaptação do roteiro foram muitas. Parte porque foi modificado demais; parte por conta de pequenos e grandes furos aqui e ali.  Não sou comentarista de TV, mas eu sou noveleira! E nem o fato de morar fora do Brasil me fez perder essa mania, então, sim, também estou curiosa pra saber quem matou Odete. Dito isso, adianto que esse texto não é para falar das minhas apostas, nem para fazer uma análise crítica da obra.  Hoje eu quero falar de algo que me interessa muito e que está super presente no meu livro, o Além do Like, e nas minhas palestras. Bora conversar sobre as representações da mulher na mídia? Mulheres negras no poder: manda …

Criança sorrindo enquanto aprende com um tablet, representando o uso responsável da inteligência artificial na educação.

Entre o medo e a esperança: o que a IA pode nos ensinar sobre ser humanos

No último fim de semana, participei de um workshop da KQED para professores da Bay Area: Centering Student Voice in a GenAI World. O evento era voltado à educação midiática e ao uso responsável da inteligência artificial em sala de aula. Ok, eu não sou professora (sou escritora e jornalista), mas a equipe organizadora gentilmente aceitou minha inscrição. Fiquei feliz e grata, e lá fui eu para um sábado inteirinho de estudos e reflexões. Mesmo sendo a única da sala que não atua em ambiente escolar, me senti em casa. Ali, todos estavam interessados em um objetivo comum: entender como criar senso crítico em tempos de algoritmos cada vez mais sofisticados. Foi entre educadores e pessoas que pesquisam esses temas há tanto tempo que me peguei pensando: se a inteligência artificial está redesenhando e refinando ainda mais o que consumimos digitalmente, será que nossa relação com as redes sociais vai piorar? É provável que sim, se não investirmos mais intensamente em educação midiática. Mas eu sou uma otimista. Formar senso crítico: a hora é agora …

Mãos segurando livros durante um momento de leitura coletiva, conceito inspirado nos clubes do livro silenciosos

Conexão real fora das telas: o que aprendi em um clube do livro silencioso

Conexão real fora das telas é possível, e eu descobri isso graças a um clube do livro silencioso. Outro dia, um post no Instagram chamou minha atenção: várias pessoas sentadas num parque, cada uma com um livrinho na mão, lendo em silêncio. Achei a ideia tão interessante! Depois que vi esse post e curti, comecei a receber mais iniciativas como essa no meu feed — o algoritmo nos conhece como ninguém! — e, para minha surpresa, existe um clube do livro silencioso em São Francisco, onde eu moro. Me inscrevi e lá fui eu. A única exigência? Leve o livro que está lendo. Cheguei ao local, um bar aconchegante dentro de um hotel perto de Downtown. Apesar de eu ter sido pontual, as mesas já estavam ocupadas. Ao contrário do que eu esperava, o silêncio não predominava: as pessoas estavam conversando de forma descontraída. Clube do livro silencioso: como é que é isso? Logo que todos se acomodaram, a mediadora pediu que montássemos pequenos grupos para discutir rapidamente sobre o que cada um estava lendo …