All posts tagged: padrões de beleza

Modelos com corpos semelhantes desfilando na passarela, ilustrando os padrões de beleza restritos na indústria da moda

Diversidade na moda, nas telas (e na vida): será que essa pauta foi esquecida?

Apesar de ser cada vez mais mencionada, a diversidade ainda é restrita nas passarelas, nas telas e nas redes sociais. Nos últimos anos, a indústria da moda e do entretenimento passou a falar cada vez mais sobre diversidade. Mas quando olhamos para as passarelas, para as telas e para as redes sociais, a sensação é de que os padrões de beleza continuam surpreendentemente restritos. Essa semana aconteceu mais uma cerimônia do Oscar. No tapete vermelho, vimos algo que já se tornou previsível: corpos magros continuam dominando os holofotes. Num momento em que a popularização de medicamentos para emagrecer já se tornou uma realidade, esse padrão parece ganhar ainda mais legitimidade. O que vemos na mídia tradicional e nas redes sociais acaba reforçando uma ideia muito específica e limitada de beleza. Talvez por isso muitas pessoas (incluindo euzinha) pareçam estar um pouco enjoadas das redes sociais. O que antes poderia servir como fonte de inspiração tem gerado, em muitos casos, uma espécie de exaustão emocional. O relatório Social Media and Youth Mental Health, do U.S. Surgeon …

adolescente olhando o celular, representando a pressão estética nas redes sociais entre meninos

Meninos também sofrem pressão estética nas redes sociais, mostra nova pesquisa

Afinal, pressão estética é coisa de menina? Assim que comecei a escrever o meu livro, tive uma certeza: meu público-alvo seria feminino. Estudando a história dos padrões de beleza, era visível que sempre fomos as mais cobradas em termos de aparência e, por consequência, o gênero mais afetado em relação à imagem corporal. No entanto, recentemente estive no Brasil e tive a oportunidade de dar algumas palestras para grupos grandes de adolescentes. A princípio, fiquei apreensiva: será que eles se interessariam pelos temas do meu livro? Estariam dispostos a repensar o uso das redes sociais? A resposta foi surpreendente: sim, estavam interessados — e, ao contrário do que eu imaginava, os meninos se mostraram super engajados, fazendo perguntas inteligentes e demonstrando curiosidade sobre como as telas impactam a autoestima. É fato, e os números confirmam: a pressão estética também é uma pauta masculina, e as redes sociais têm papel direto nisso. Meninos, redes sociais e a pressão pela aparência Para minha surpresa, o que vi na prática foi confirmado por uma pesquisa recém-lançada pela Common …

Criança sorrindo enquanto aprende com um tablet, representando o uso responsável da inteligência artificial na educação.

Entre o medo e a esperança: o que a IA pode nos ensinar sobre ser humanos

No último fim de semana, participei de um workshop da KQED para professores da Bay Area: Centering Student Voice in a GenAI World. O evento era voltado à educação midiática e ao uso responsável da inteligência artificial em sala de aula. Ok, eu não sou professora (sou escritora e jornalista), mas a equipe organizadora gentilmente aceitou minha inscrição. Fiquei feliz e grata, e lá fui eu para um sábado inteirinho de estudos e reflexões. Mesmo sendo a única da sala que não atua em ambiente escolar, me senti em casa. Ali, todos estavam interessados em um objetivo comum: entender como criar senso crítico em tempos de algoritmos cada vez mais sofisticados. Foi entre educadores e pessoas que pesquisam esses temas há tanto tempo que me peguei pensando: se a inteligência artificial está redesenhando e refinando ainda mais o que consumimos digitalmente, será que nossa relação com as redes sociais vai piorar? É provável que sim, se não investirmos mais intensamente em educação midiática. Mas eu sou uma otimista. Formar senso crítico: a hora é agora …

Capa do livro Além do Like, escrito por Danielle Barg, com fundo laranja e título em letras garrafais

A pressão estética não sai de moda: atualizar nosso olhar é pra ontem

Você já percebeu que a pressão estética nas redes sociais nunca morrem — elas apenas se transformam? Foi para falar sobre isso que escrevi o Além do Like. A primeira edição nasceu em 2021, e agora ele acaba de ganhar uma versão atualizada pela Editora Senac! A nova publicação traz pesquisas quentes, entrevistas e temas que refletem os desafios atuais da era digital. A pressão estética muda de rosto, mas não desaparece Apesar das tendências irem e virem, a pressão estética nunca perde a relevância. Ela apenas se reinventa. Quando escrevi a primeira edição, o debate girava em torno de filtros de beleza no Instagram, comparações com o “corpo perfeito” das influenciadoras e dietas milagrosas que circulavam nas redes sociais. No entanto, não mudou muita coisa nesse cenário. Estudos apontam que o uso de filtros digitais tem mexido com a autoestima de adolescentes, que estão cada vez mais inclinadas à ideia de transformar o corpo por meio da cirurgia plástica. Além disso, a comparação da imagem real com a editada continua sendo um terreno fértil …

Celulares nas escolas: por que repensar seu uso é importante? 

Você tem ideia do quanto as redes sociais impactam a sua autoimagem? Não apenas sua relação com o espelho, mas a saúde mental como um todo? Atualmente, discute-se no Estado de São Paulo um projeto de lei que busca restringir o uso de celulares por estudantes tanto em instituições públicas quanto privadas. Se aprovada, essa medida irá sinalizar uma mudança social importante.  Afinal, se o uso dos celulares afeta nós, adultos, tente imaginar as consequências geradas na cabeça de crianças e, sobretudo, adolescentes. Redes sociais e a autoimagem dos jovens: uma batalha desafiadora A fase da adolescência é marcada por insegurança e busca por validação social, e isso é potencializado pelas redes sociais.  Sem dúvida, a busca por “likes” e comentários positivos é uma armadilha que tem feito muitos adolescentes, sobretudo as meninas, a odiarem o próprio corpo desde muito cedo. Veja, por exemplo, um pequeno trecho de um depoimento presente no meu livro: “Parte da minha adolescência foi regada pelo Instagram e, com isso, uma imagem de perfeição inexistente criou-se. Aos 15, tive problemas …

Documentário mostra o nascimento da Barbie Negra

Black Barbie: documentário mostra a importância da representatividade

Grandes conquistas podem surgir de pequenos gestos de coragem. Foi assim que nasceu a primeira Barbie negra, em 1980, a partir de uma simples pergunta, como conta o documentário Black Barbie, disponível na Netflix. O filme traz entrevistas com mulheres que trabalharam na Mattel – fabricante da boneca – e tiveram papeis cruciais nessa construção.  A primeira delas foi Beulah Mae Mitchell, uma mulher negra que trabalhava na fábrica e teve a ousadia de perguntar à Ruth Handler, criadora da Barbie: “Por que não fazemos uma Barbie que se pareça comigo?”.  Embora pareça estranho afirmar que uma pergunta tão básica seja interpretada como um ato de coragem, é preciso considerar que nossa sociedade é, sim, racista. E há 60 anos atrás, quando surgiu a primeira Barbie, era ainda mais. De tal forma que ter mulheres negras no quadro de funcionários e acatar suas opiniões já poderia ser visto, naquela época, como algo revolucionário. Sem dúvida, não fossem essas mulheres, muitas meninas ainda não se sentiriam representadas em uma das bonecas mais populares em todo o …

Precisa ser magra pra dançar balé?

Carol fazia ginástica olímpica, jazz e natação. Mas quando via bailarinas clássicas, o olho brilhava! Ela achava lindo, se identificava. Era como se a dança já estivesse dentro dela. Mas, do alto dos seus 11 aninhos, sentia que estava “velha”. Porque é preciso começar novinha, né? E é preciso ser magra, ou não vai pra frente na dança. Esse tipo de crença impede muita mulher de dançar, ou de praticar qualquer tipo de arte que dependa do corpo.  Mas com a Carol foi diferente. Demorou dez anos, mas ela finalmente se deparou com uma matéria sobre balé adulto, estampada pela atriz Alinne Moraes. “Eu falei: ‘nossa, isso existe!’. Se existia o termo ‘balé adulto’, se tinha gente fazendo, tinha escola que aceitava adulto. Foi quando comecei, com 21 anos.” O perfil da Carol Lancelloti (@meiaponta) me chamou atenção desde que comecei a mergulhar mais profundamente nos estudos sobre padrão de beleza e pressão estética. Afinal, dentro da rigidez do balé clássico, ela enfrentou dois paradigmas –  o do corpo e o da idade. Coincidentemente (ou …

Documentário aborda beleza e representatividade da mulher na mídia

Outro dia, li uma entrevista com uma atriz que dizia que não via quase nada de bom em envelhecer. Listou umas duas ou três coisas ligadas ao amadurecimento emocional como fatores positivos; em contrapartida, a lista de angústias era gigantesca. O pescoço anda muito enrugado, a barriga já não é mais a mesma, as linhas de expressão a obrigam aplicar botox o tempo todo…é, não deve ser fácil viver de imagem num mundo em que valoriza tanto a aparência da mulher. Para nós, é implicitamente negado o direito de envelhecer.  Enquanto há material suficiente na mídia sobre como nos comportar, o que vestir, o que comer (e principalmente o que NÃO comer) e o que passar na cara para congelar o tempo, pouco se fala sobre a origem dessa pressão estética. O documentário Miss Representation é de 2011, mas, mesmo quase dez anos depois, ainda é super atual (infelizmente). Ele aborda a forma como a mídia e cultura contribuem para colocar a mulher nesse papel de obediência e submissão. Não pode envelhecer, não pode engordar, …

Piazza San Pietro Roma

Você quer ser linda para você…ou para os outros?

* English version below  A gente tem umas bobeiras na adolescência, né? A imagem é algo muito importante nessa fase da vida e parecer belo aos olhos dos outros é um privilégio de poucas. Sim, porque a maioria vai ter um “defeito” pra virar alvo de piada. Tem a gorda, a magrela, a que tem muita espinha, a que tem muito peito (ou a que não tem nenhum), a que tem o cabelo “assim” ou “assado”….enfim, a lista é infinita.Tenho lido muito a respeito de insatisfação corporal e uso os adjetivos acima no feminino porque as mulheres, historicamente, sempre foram mais cobradas que os homens para se encaixar nesse tal padrão de beleza. Quando eu tinha meus 11, 12 anos, não gostava muito do meu nariz. Na verdade, eu até gostava, mas aí me mudei de prédio, fiz uma turminha nova e, no julgamento deles, meu nariz era grande demais.  Acreditei nisso por um tempo. Mas, felizmente, venho de uma família amorosa que sempre me mostrou que eu era suficientemente linda aos olhos deles. E que …

E o tempo que a gente perde cuidando da imagem? Vale a pena? 

Às vezes fico pensando que eu poderia ter chegado em Harvard se tivesse dedicado aos estudos o mesmo tempo que gastei, ao longo da vida, cuidando da minha imagem. E olha que não sou das pessoas mais vaidosas do mundo. Não vou a salões de beleza, não faço tratamentos estéticos, nunca fiz plástica e a última vez que passei esmalte na unha faz uns seis meses.  Por outro lado: frequento academia, aplico creme no rosto todo dia (de manhã e à noite); sempre passo, além do protetor solar, pelo menos um blushezinho e um rímel antes de botar a cara no sol (e jamais durmo de maquiagem); lavo o cabelo diariamente, faço depilação a cada quinze dias….Frequentemente também perco uns bons minutos antes de sair de casa com dúvidas sobre o que vou vestir. A ideia aqui não é limitar os cuidados com a beleza à uma simples futilidade.  Também não estou dizendo que ser desleixada é o caminho para a felicidade suprema.    Apenas constatei, especialmente nos últimos anos, que muitas dessas rotinas que segui …