Mindful Eating: você pensa no que come, ou simplesmente come?

Sempre que eu encontro a Sophie Deram, mesmo que informalmente, acabo fazendo uma entrevistinha. Para quem não conhece, ela é uma nutricionista franco-brasileira que é contra dietas restritivas, e ganhou o meu coração logo na primeira vez que me disse: “dieta engorda”.

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Fiz uma entrevista bem completa com ela logo que ela lançou o livro O Peso das Dietas (leia aqui!), que virou um best seller justamente por ir na contramão de tudo que sempre foi falado sobre as privações alimentares em nome de um ~corpo perfeito~.

Outro dia conversamos sobre o conceito de mindful Eating, e reuni aqui alguns dos principais destaques dessa conversa porque eu realmente acredito que comer de forma plena, com consciência, atenção e vontade faz toda a diferença para quem está em busca de equilíbrio.

Sophie me explica que o conceito de mindful vem das técnicas budistas: manter o foco no presente, no momento, no A-G-O-R-A, com o intuito de combater males como estresse, depressão e ansiedade.

Explico mais sobre o conceito neste post aqui. Então vamos a algumas coisas importantes para pensar antes de sentir culpa ou “medo” de comer.

Por que dieta restritiva é ruim, na opinião de Sophie

“O ato de restringir, de cortar, de passar fome muda o seu cérebro, ele se adapta. Em que sentido? Aumenta o apetite, então você vai ter mais fome, vai pensar mais em comida. Então você só vai pensar em comer. Não é à toa que pessoas que estão fazendo dieta só falam de alimentos. Só falam de comida. É impressionante.” 

Comer quando se tem vontade: é natural, não é luxo

Respeitar o ato de comer também é uma forma de manter o equilíbrio. Sempre ouvindo o próprio corpo: será que estou comendo porque estou com fome, porque estou com vontade ou porque estou triste?

“Se você está triste, vai chorar.” Essa é uma das dicas da Sophie. “Se você está ansioso, liga para um amigo, conversa. Mas não come, porque o que você vai comer não vai resolver sua tristeza, sua emoção.”

Comer é festa!

Em qualquer lugar do mundo, independente da cultura ou da religião, a comida tem seu espaço nas celebrações. Comer para festejar é uma delícia!

O fim do ano é uma das épocas em que mais se fala em “dieta detox”, “dicas para não enfiar o pé na jaca” e coisas do tipo.

Eu até acho essas dicas legítimas, o que eu não acho normal é o ciclo de exagero e culpa que se instaura nas nossas cabeças nessa época do ano (falo por experiência própria).

O conceito de mindful vai justamente no lado oposto dessa coisa do extremismo: ou se enfia o pé na jaca, ou se passa o dia no detox. “Tem muitas pessoas que vão nestes eventos e entram no modo ‘jaquei’. ‘Fiz restrições a semana inteira e estou no dia do lixo’. Como se você fosse um lixo! Tem muitas pessoas que funcionam assim, 8 ou 80. Eu acho que esse é o melhor jeito de engordar!”, diz a nutricionista.

Mais uma vez a dica aqui é o equilíbrio. Muita restrição leva à compulsão, então, o ideal é respeitar suas vontades mas sem se esquecer de que todo exagero tem seu preço. “Se você está consciente do que está comendo, você está satisfeito. Você vai nesses eventos, vai comer um pouquinho além da sua fome porque você está feliz, está provando comida diferente, mas você não vai entrar no excesso. Porque o que é gostoso é estar junto, celebrar a comida.”

Resumindo, exagerar é humano. Nem sempre temos consciência do que estamos comendo simplesmente porque estamos distraídos, conversando, fazendo outras coisas. Mas cultivar o hábito da atenção é um dos segredos para ouvir melhor o corpo e, consequentemente, os sinais de saciedade que o corpo manda desde sempre: nós é que paramos de ouvir.

O ato de comer é fisiológico, mas também psicológico

Sophie diz que o mindful é um “estado de ser”. Ou seja: é prática!

É mudar hábitos, de forma gradativa, sem encarar a rotina alimentar como uma preocupação. “Comer é uma coisa extremamente importante não só para nutrir, mas também é um ato psicológico. Eu falo sempre isso: o ser humano se nutre de alimentos e sentimentos. Então se a gente esquece esse lado psicológico, o que a nutrição fez durante muito tempo, a gente não ajuda o paciente, porque ele só vai pensar em contar caloria e vai deixar de se escutar, vai deixar de viver uma vida tranquila.”

Anotado, Sophie. 😉

4 dicas para colar na geladeira

Para finalizar, quatro conceitos ligados ao mindful eating para quem está em busca de uma relação mais tranquila com o próprio corpo.

  1. Saboreie. Comer é tão bom pra gente banalizar o ato, comer correndo, comer qualquer coisa. Valorize este momento! Sinta o sabor das coisas maravilhosas que temos nesse mundão de meu Deus.
  2. Esteja presente. Tente manter o foco na comida, e não na sua agenda, no celular ou naquele problema que você não conseguiu resolver. Ainda que a TV esteja ligada, a comida tem que estar em primeiro plano. É difícil. Mas não impossível.
  3. Respire. Entre uma garfada e outra, uma respirada. Isso ajuda a nos colocar no presente, perceber o momento. A nossa saciedade chega lentamente, se você comer rápido, vai ter fome de novo.
  4. Coma devagar. AI MAIS EU NÃO TENHO TEMPO. Jura? E quem tem, miga? Pare de dar desculpas para si próprio. Entre tantas prioridades que temos no dia a dia, comer é a mais saborosa delas. 🙂 

 

Para conhecer mais sobre o trabalho da Sophie, acesse o site dela, que traz muitas informações importantes para quem está em busca do equilíbrio ao comer.

 

 

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